“Um ano para decidir, adaptar e crescer com critério”
Caras e Caros Associados,
O início de um novo ano é sempre um bom momento de balanço, mas também de reposicionamento.
O setor da hotelaria e da restauração entra neste novo ciclo com desafios bem identificados, alguns deles longe de serem novos, outros agravados por um contexto económico, social e regulatório cada vez mais exigente.
Não ignoramos o desgaste acumulado. Têm sido anos de grande pressão, de adaptação constante e de decisões difíceis, frequentemente enquadrados por uma narrativa pública de euforia em torno de recordes do turismo que, importa dizê-lo com clareza, não refletem a diversidade das realidades empresariais no país. Sabemos bem que esse crescimento, tantas vezes apresentado como generalizado, não chega da mesma forma a todas as empresas, nem a todos os territórios, e que muitos negócios continuam a enfrentar constrangimentos sérios, longe dos números que fazem manchetes.
Ainda assim, se há algo que define este setor é a sua resiliência. A hotelaria e a restauração em Portugal têm demonstrado, uma e outra vez, uma enorme capacidade de resistência, de reinvenção e de compromisso com a qualidade, mesmo quando o caminho parece tudo menos simples.
Esta resiliência, não pode contudo — nem deve — servir para desresponsabilizar o poder público da sua obrigação de criar condições para que as empresas possam operar, investir e prosperar. A descida do IVA e de outros impostos pode ser uma parte importante da solução, mas está longe de ser suficiente para responder à complexidade dos desafios que enfrentamos. Ao mesmo tempo, a APHORT sempre foi clara numa ideia essencial: os empresários não podem ficar de braços cruzados à espera de soluções milagrosas. É preciso arregaçar as mangas, adaptar modelos e ter a coragem de deixar cair fórmulas do passado que já não respondem à realidade de um mercado hoje profundamente transformado. É urgente continuar a apostar na qualificação da oferta e na construção de respostas viáveis e exequíveis em tempo útil, mesmo quando o enquadramento não é o ideal.
Entramos neste ano conscientes de que crescer não pode ser um fim em si mesmo. O debate em torno da sustentabilidade, da qualificação dos recursos humanos, da viabilidade económica dos negócios e da relação com os territórios é hoje incontornável. Como tal, o caminho que temos de construir não passa apenas pelo crescimento, mas por fazê-lo com critério, visão de longo prazo e respeito por quem investe e, sobretudo, por quem trabalha e vive nos territórios onde o turismo acontece.
Da nossa parte, continuaremos a assumir uma posição clara e responsável na defesa dos interesses do setor, dialogando com as entidades competentes, alertando para riscos reais e propondo caminhos que façam sentido para quem está no terreno, sempre na defesa de um turismo que crie valor e que permita às empresas manterem-se sólidas, competitivas e preparadas para o futuro.
Este é também um momento para reforçarmos a confiança no setor, nas empresas, nos profissionais e na força coletiva que resulta de estarmos juntos. A APHORT existe para representar, apoiar e dar voz aos seus Associados e vai continuar a fazê-lo da forma próxima, disponível e responsável que nos distingue.
Contem connosco ao longo deste ano para, com espírito crítico e visão de futuro, mantermos o foco no desenvolvimento das nossas empresas e na construção de um setor mais forte, mais sustentável e melhor preparado.
Em nome da Direção da APHORT, desejo a todos um ano de bom trabalho e de boas decisões, vivido com resiliência e renovada confiança no futuro que construiremos juntos
Com os meus melhores cumprimentos,
Rodrigo Pinto Barros
Presidente

